Normalmente, os gatos vomitam quase logo após ingerir erva, o que conduziu à convicção de que eles a comem porque estão doentes, e querem obrigar-se a vomitar. É um conceito assente que os animais sentem a necessidade de se “purgar”, quando algo está mal no seu organismo, especialmente no sistema digestivo. De facto, o aumento da ingestão de ervas é frequentemente relatado pelos donos de gatos portadores de problemas gastrointestinais. Nestes casos, o animal sente mal-estar, enjoo, cólica ou dificuldade em defecar, sintomas que podem ser provocados por qualquer causa de inflamação, como sejam as infecções bacterianas, víricas ou parasitárias, os tumores, as doenças imunitárias, os distúrbios alimentares (devidos a desequilíbrios ou dietas pobres em certos nutrientes), e a presença de corpos estranhos (objectos roídos ou bolas de pêlos). Está provado que gatos que comem demasiado rápido, ou que ingerem demasiada comida numa refeição, procuram vomitar para aliviar a sensação de enfartamento. Muitas vezes este alimento é escondido, para que o possam voltar a ingerir mais tarde.
A constatação deste facto levou vários especialistas em comportamento animal (ou Etologia) a estudar a atitude alimentar dos gatos, concluindo-se que o stress do cativeiro (no caso dos felinos selvagens) ou a solidão dos apartamentos fechados (no caso dos gatos domésticos) provoca muitas vezes comportamentos viciosos, entre os quais a ingestão de plantas. Também a irritação ou agressividade dirigidas ao dono podem desencadear este comportamento.
No entanto, todos concordam que muitos gatos mordiscam e roem ervas por prazer ou passatempo, escolhendo neste caso as mais macias e suculentas.
É então de evitar o castigo precipitado do gato destruidor de plantas, devendo o dono tentar perceber a causa deste comportamento.
O veterinário assistente pode dar uma ajuda preciosa caso suspeite de um problema de saúde associado á ingestão das ervas, e a ele deve recorrer-se sempre que o gato apresente sintomas de doença como falta de apetite prolongada, emagrecimento, vómito persistente, diarreia, presença de sangue nas secreções ou dificuldade em defecar. Um bom exemplo são as situações em que o gato come caules mais rijos para vomitar bolas de pêlo acumulado no estômago, o que provoca o aparecimento de sangue no vómito. Esta situação assustadora para o dono é facilmente resolvida, quando diagnosticada, com a administração de protectores gástricos e pasta de malte para ajudar a eliminação dos pêlos engolidos.
Também as alterações comportamentais devem ser exploradas com a ajuda de um especialista, para que se distingam as patologias do comportamento (que exigem tratamento médico ou modificações no meio ambiente do gato) de atitudes normais como brincar, ou gostar de mordiscar. Assim, quando a ingestão de ervas não tem origem patológica,  cabe ao dono providenciar ao gato a sua guloseima, para salvar as plantas decorativas e os arranjos florais. As ervas favoritas são a catnip ou erva dos gatos, o tomilho, a salva, a salsa, a avenca, o trigo, o pé-de-galo e a erva de jardim. Dentro destas, algumas podem ser compradas nos hortos e floristas, como é o caso da avenca e das ervas aromáticas. Existem também á venda, nas lojas de produtos para animais, várias marcas de “erva para gato”, apresentada na forma de saquetas com sementes para plantar ou pequenos vasos já com os rebentos verdes, geralmente contendo uma mistura apetecente de ervas.
Há a ter em atenção que algumas das plantas que mais frequentemente decoram as nossas casas e jardins podem ser potenciais venenos para os animais domésticos, nomeadamente as begónias, hidranjas, íris, jasmins, lírios, prímulas, azevinho, estrela de natal, azáleas, vinha da índia, rododendros e oleandros.
Em conclusão, a resposta à pergunta: ” Porque é que o meu gato come ervas?” só pode ser dada por quem a faz, após uma análise cuidada da saúde, do comportamento e do meio ambiente em que vive o gato.
O que são?
As bolas de pêlo, também denominadas tricobezoares ou pilobezoares, são acumulações de pêlo ingerido que se formam no estômago dos animais, funcionando como um corpo estranho no aparelho digestivo. A língua dos gatos, devido à morfologia das suas papilas, transforma-se numa escova natural que arrasta os pêlos mortos, favorecendo a sua ingestão nesta espécie.
O que acontece?
Localizados no estômago, os tricobezoares provocam mau estar ao gato, que vai tentar expulsá-los através do vómito. Aqueles que seguem para o intestino continuam a provocar irritação, notando-se por vezes falta de apetite e cólicas, até que sejam eliminados com as fezes (ao limpar a liteira o dono poderá notar a sua presença). Embora não seja frequente, a oclusão intestinal pode acontecer em casos graves, exigindo a resolução cirúrgica para evitar a morte do animal por deterioração da própria parede intestinal.
Redobrar a atenção!
A altura da muda de pêlo, que geralmente ocorre na Primavera e Outono, é quando a queda é mais intensa, e por isso mais favorecedora da formação de bolas de pêlo. Também o periodo do parto é crítico, quer porque a mãe se limpa com mais frequência, quer porque lambe constantemente os seus filhotes para os manter limpos, quentes e despertos.
Apesar de todos os gatos estarem sujeitos à acumulação gástrica de pêlos, deve-se ter especial atenção aos de pelagem longa, por motivos óbvios. Não tão evidente é o cuidado a prestar a gatos velhos, por um lado porque devido à idade a sua pele e pêlo estão enfraquecidos, o que aumenta a queda, e por outro porque o seu aparelho digestivo mais frágil e lento sofre mais intensa e rapidamente com a presença dos pêlos no seu interior.
Quem tem vários gatos deve tentar perceber a hierarquia estabelecida entre eles, uma vez que os mais velhos ou dominantes têm a tendência de lamber e limpar os outros como demonstração do seu estatuto superior.
E se for doença?
Toda e qualquer situação de debilidade orgânica resulta num mau estado da pelagem, quer por enfraquecimento da saúde da pele e do pêlo, quer porque um gato doente não se cuida como de costume, acumulando sujidade e pêlos mortos, o que acaba por resultar em problemas de pele, e consequente intensificação da queda de pêlo. É também de esperar a formação de bolas de pêlo em gatos com alterações comportamentais, já que uma das principais expressões do stress é o aumento da frequência e intensidade da higiene. No entanto, as doenças dermatológicas e a presença de ectoparasitas (pulgas, carraças, piolhos e ácaros) são o motivo mais frequente de intensificação da sua higiene, com óbvia acumulação de pêlos no estômago.
Como prevenir?
A manutenção do bom estado da pele e do pêlo é fundamental, pelo que o aporte de elementos como as vitaminas A e E, os ácidos gordos ómega 3 e 6 e a biotina deve ser assegurado, quer pela administração de uma ração de boa qualidade, quer pela administração de suplementos específicos, à venda em clínicas veterinárias e lojas especializadas.
É de realçar que os pêlos retirados durante a escovagem não serão engolidos pelo gato, de modo que esses momentos de interacção entre o dono e o seu melhor amigo devem ser promovidos desde cedo, para que ambos criem e gozem o hábito afectivo de tratar o pêlo.
Claro que apesar destes cuidados um gato engole sempre pêlos, os quais serão mais facilmente eliminados com a administração periódica de pastas lubrificantes à base de malte ou mantendo à disposição do gato ervas que ele possa roer para o ajudar a regurgitar as pequenas bolas de pêlo que se formarem. Há também uma variedade de dietas já formuladas com fibras favorecedoras do trânsito intestinal, que facilitam a eliminação através da incorporação do pêlo nas fezes.
Em resumo...
Para não variar, o fundamental é conhecer bem e estar atento ao seu gato (ou gatos), de modo a detectar problemas o mais cedo possível, mas de preferência, a conseguir evitá-los.
A piómetra é a acumulação de pús no útero, geralmente acompanhada de alterações nos ovários e com consequências generalizadas no organismo. Chama-se piómetra aberta se é visivel o corrimento vaginal, e piómetra fechada se não há corrimento visivel, a qual é uma situação médica de urgência. Ocorre com mais frequência a seguir ao cio, devido á influência das hormonas sexuais. É mais comum em fêmeas com mais de sete anos, e a incidência aumenta no caso daquelas que já tomaram anticoncepcionais.
A presença de um corrimento vaginal purulento, mucoso, com sangue, e por vezes com mau cheiro, é o primeiro sintoma (e pode ser o único, no caso das piómetras abertas). Apatia, falta de apetite e aumento da ingestão de água são sintomas frequentes, e geralmente fáceis de reconhecer pelos donos. Pode também ocorrer diarreia, vómitos e dor abdominal. No caso das piómetras fechadas os sintomas são mais graves, já que o pús fica acumulado no útero e as bactérias entram facilmente em circulação, o que conduz ao desenvolvimento de febre e desidratação. Se houver também presença de toxinas bacterianas no sangue, o estado de choque pode ocorrer, notando-se prostração grave e hipotermia (temperatura abaixo de 36 graus). Se uma piómetra fechada não for diagnosticada, a ruptura da parede uterina leva quase sempre à morte.
O diagnóstico correcto parte geralmente da história clínica e do exame físico; a radiografia e a ecografia são os meios de eleição para confirmar a suspeita de piómetra; as análises sanguíneas permitem avaliar lesões em outros orgãos e a presença de bactérias no sangue. Este conjunto de procedimentos permite diferenciar a piómetra de outras patologias com sintomas semelhantes, estabelecer o tratamento mais adequado, e determinar o prognóstico do processo.
A abordagem às pacientes com piómetra começa por controlar tudo o que põe em risco a vida do animal, nomeadamente através da administração de soro, antibióticos e anti-inflamatórios. A estes junta-se medicação hormonal (a qual provoca contracções uterinas, favorecendo a expulsão do pús), no caso de se optar apenas pelo tratamento médico. Devido ao elevado custo e à enorme taxa de recidivas no cio seguinte, o tratamento médico por si só apenas deve ser escolhido em caso de animais de alto valor reprodutivo, quando os sinais sistémicos são leves ou inexistentes, em fêmeas jovens (que pela sua resistência têm mais capacidade de cura), ou em pacientes com patologias graves que impeçam a cirurgia. O tratamento definitivo é sem dúvida a ovariohisterectomia (remoção cirúrgica do útero e dos ovários), a qual deve ser efectuada assim que a paciente se encontre estável. Mesmo após a cirurgia a medicação deve ser mantida, dependendo da gravidade dos sintomas e da resposta do animal ao tratamento. Estes factores implicam também o curso da recuperação, sendo que a insuficiência renal, peritonite, septicémia e morte são complicações a ter em conta.
A melhor forma de prevenir esta patologia é a esterilização precoce (ovariohisterectomia); evitar o uso de anticoncepcionais (especialmente em gatas) reduz drasticamente a sua incidência.
 
 
 

Porque os gatos comem erva?

Pêlos e mais pêlos, bolas de pêlo!

Piómetra - um bom motivo para esterilizar cadelas e gatas